sexta-feira, 8 de junho de 2012

Entrevistas com Álvares de Azevedo - 3º período Técnico em Eletrônica - CE03A T11


Entrevistador: Primeiro de tudo, gostaria de agradecer a você por nos dar esse tempo para esta entrevista.
Álvares: Eu que agradeça por ter tantas pessoas que gostem de meus poemas o bastante para quererem fazer uma entrevista comigo.
Entrevistador: Você esta trabalhando em alguma obra ultimamente?
Álvares: Sim, estou, recentemente minha saúde piorou e isso me fez pensar muito na vida e na morte e isso me deu muita inspiração para escrever.
Entrevistador: Já que tocou no assunto, como anda sua saúde?
Álvares: De mal a pior, eu já estava com tuberculose e sofri um acidente enquanto andava a cavalo e desde então só tenho piorado.
Entrevistador: Sinto muito por ouvir isso, espero que você melhore o mais rápido possível.
Álvares: Obrigado, mas não temo a morte, acha que seria até um descanso merecido.
Entrevistador: Você penca em retornar a faculdade de direito?
Álvares: Não, acho que está muito tarde para isso e além disso o que gosto mesmo é de escrever.
Entrevistador Uma ultima pergunta, tem algum poema que você gosta mais?
Álvares: Isso depende da época que você perguntar, como agora por exemplo prefiro minhas ultimas poesias pois dão as que mais relacionadas com o que estou sentindo.
Entrevistador Obrigado pelo seu tempo mais uma vez.
Álvares:Eu que agradeço pela oportunidade, pode der a ultima vês que falo dobre minhas obras.

Bruno Guarise e Lucas Guarise

Álvares de Azevedo é o nome de um grande poeta do nosso tempo. Romântico e com textos que muitos de nós nos identificamos, Álvares é com certeza alguém memorável. E aqui estou eu, frente a frente com esse grande artista.

Álvares, você ainda é jovem, como escolheu seguir a carreira de poeta?
Bom, desde muito jovem eu já era apaixonado por poesia, no colégio fui aluno de Gonçalves de Magalhães, introdutor do Romantismo no Brasil, e essa paixão cresceu ainda mais no meu peito. Depois fui pra São Paulo estudar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Lá comecei a me identificar com literatura, produzi e traduzi algumas grandes obras como o quinto ato de Otelo. Minha facilidade em aprender línguas era muito apreciada. Foi na faculdade que conheci meus grandes amigos Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães que são exímios poetas. Acho que, depois de tudo isso, não tinha como não virar de fato um poeta. (risos)
Como todo poeta, você deve ter alguém em que se inspira e/ou dedica as suas poesias. Quem são essas pessoas?
Depende muito. Tem horas que escrevo só pra mim, como um desabafo, sabe?  Que não tenho alguém específico, são minhas palavras no papel, pra mim. Mas obviamente eu tenho aqueles para quem escrevo, e esses são a minha família. Minha mãe e irmã principalmente, que são as duas mulheres que mais amo na vida. Foi pensando basicamente nelas que fiz o poema “Se eu morresse amanhã”.
Você é um poeta romântico, e como característica geral, pode-se dizer, também faz alusão ao “mal do século”. Qual o real sentido por trás disso?
A sociedade esta decadente e a vida faz muitas piadas de mau gosto. Não tem como participar disso não e não ficar deprimido. É tudo muito triste e como já disse, uso o papel como um desabafo, assim como vários outros artistas fazem.
Você já é um grande nome hoje, acha que no futuro as pessoas ainda vão se lembrar do seu nome e fazer referencias ao seu trabalho?
Eu espero que sim (risos), que artista não quer que o seu nome não seja gravado na eternidade? Eu faço o meu trabalho com paixão e devoção, realmente gosto do que faço e me sinto bem o fazendo. Se por consequência isso fizer com que me lembrem, ótimo. Ficarei muito feliz no meu caixão (risos).
Já que estamos falando do futuro, o que você espera dos poetas futuros? Como serão suas obras no seu ponto de vista?
Espero que eles sejam um pouco menos depressivos (risos). Sério, espero que a vida seja melhor e que os futuros poemas transmitam isso. Afinal o artista se baseia no que esta ao seu redor e o meio tem grande influencia em tudo isso. Não gostaria que as próximas gerações incluindo meus netos e bisnetos, vivessem tempos ruins e por consequência lessem textos tristes e/ou depressivos; e sim textos que digam como a vida é boa e todas as coisas são lindas.

Amarilys Lackner Salomão

Aluno: Muitos podem pensar que Lembranças de Morrer é um pressentimento de sua morte. Foi isso mesmo que ocorreu?
Álvares de Azevedo: Após a morte de dois companheiros meus, me senti incapaz de continuar a viver sem perceber que a vida é efêmera. Pensando que um dia estamos aqui e no outro dizemos adeus a nossos entes queridos. Esse pensamento me serviu de apoio para Lembranças de Morrer. Mas saber quando vou morrer, não. Apenas pensei que a morte é um caminho de mão dupla, mas ninguém volta porque não querem voltar. Se tornam livres.
Aluno:  Teve alguma obra, que o senhor tenha tido dificuldades em completá-la?
Álvarez de Azevedo: Espero que por dificuldade, você compreenda falta de demonstrar o que eu sinto e não tempo para completar minha obra. Bem, se este for o caso, devo responder que não. Eu só começava a escrever quando minhas ideias estavam claras dentro de mim. Ou seja, como posso ter dificuldade em algo, se nem comecei a fazê-lo?
Aluno: Há alguma obra que o senhor a considere a sua predileta?
Álvares de Azevedo: Interessante, pois para mim não me preocupo com favoritismo. Acho que não há outra forma de responder esta questão, além de dizer que todas são minhas favoritas. Pois em cada uma delas há um “pedaço” de mim e negligenciá-las seria a pior coisa que eu faria na minha vida.
Aluno: O senhor acha que se tivesse tido influências de qualquer outro período do romantismo, o senhor faria trabalhos que ficariam conhecidos da mesma maneira que os seus atuais?
Álvares de Azevedo: Durante minha infância li muitos livros de autores europeus e ingleses como Byron, Musset, Heine, Dante, Goethe e até mesmo Shakespeare. Esses autores influenciaram a maneira de eu pensar e ver o mundo e acredito que se eu tivesse nascido em uma época diferente, isso afetaria a forma de eu pensar e por conseguinte minhas obras com certeza seriam diferentes. Mas essa é uma pergunta complicada pois a vida de uma pessoa é baseada em suas experiências. Com isso eu poderia nem ser um poeta. Então acredito que eu não possa responder a essa pergunta. Tudo que sei é que eu faria o meu melhor, como sempre fiz em minha vida.
Aluno: Sem ofensas mas há muitos boatos de que o senhor fosse um boêmio, porém outros dizem que sua vida é calma e serena. O senhor poderia nos contar a verdadeira história?
Álvares de Azevedo: Tudo que vou dizer é que minha vida não foi totalmente calma e serena, todavia também não fui nenhum boêmio. A verdade é que eu vivi nos dois lados, mas não em seus extremos. E creio que se eu não tivesse feito da maneira que fiz, não seria a mesma pessoa de hoje.

Gustavo T. P. da Silva

Em entrevista inédita, Alvarez de Azevedo fala do Romantismo suas influências, e de “Lembranças de morrer”.
18/04/1852

Alvarez de Azevedo, jovem paulista, fundador da revista Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano, é uma das promessas do romantismo no Brasil, considerado por muitos um ultrarromântico, que encaminha suas obras para o tema da morte. É com ele que o Jornal Dom Pedro II conversou.

J. D. P. II – Quais são suas principais influências?
Alvarez de Azevedo – O meu trabalho está diretamente ligado ao dito “ Mal do Século”. Na realidade entendo que minha principal influência é Lord Byron, pois desde quando comecei a traduzir algumas de suas obras me identifiquei com sua forma de fazer romantismo.
J.D.P. II- Como seu modo de vida afeta sua Obra?
Alvarez de Azevedo – Bem, primeiramente a vida está para ser vivida, e esse tédio que domina a vida das pessoas nada tem de produtivo. Se me consideram desregrado e boêmio é porque enxergo as coisas por um outro panorama. Compreendo que meu modo intenso de viver está refletido em minhas obras, a intensidade como percebo as mulheres, o sombrio, e a irreverência me fazem criar obras como “Lembranças de Morrer” e “Namoro a cavalo” por exemplo.
J.D.P. II – Você falou sobre “Lembranças de Morrer”, o que você quis dizer com essa poesia?
Alvarez de Azevedo – O tema é a morte, a minha desilusão com essa vida de tédio. Na realidade a ideia é encontrar na morte, uma válvula de escape, uma fuga. Aí me encaixam nas correntes do ultrarromantismo.
J.D.P. II – Qual verso você assinalaria como aquele que melhor reproduz esse sentimento de “Lembranças de Morrer”?
Alvarez de Azevedo – O sentimento de estar sem esperanças por faltas de alternativas, por estar no tédio e encontrar na morte uma salvação. Esse sentimento estaria em “ Eu deixo a vida como deixa o tédio”.
J.D.P. II – Fazendo um paralelo à sua vida, qual das estrofes se encaixariam melhor ao Alvarez de Azevedo de hoje?
Alvarez de Azevedo -
“Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!”

Me encontro acometido por uma tuberculose que não me permite viver, me tranca e me sufoca, e nesse momento, para mim, a melhor amante seria a Morte.

Após uma semana da realização dessa entrevista, Alvarez faleceu como resultado da doença que o acometia.

Theodora Wrobel von Zuben e Thiago Peres Arias

Um dia me perguntaram: Você é contra ou a favor da invenção da máquina do tempo? Hoje, sendo ela uma realidade, até como um meio de transporte, me declaro totalmente a favor. Digo isso, pois sem ela não poderíamos sonhar em entrevistar personalidades importantes, nem sequer conviver com elas no nosso dia a dia. Mês passado conhecemos mais sobre a vida de Friedenreich e Garrincha, hoje daremos início a uma série de entrevistas com escritores brasileiros. Então, nada melhor do que começar com um poeta do “mal do século”, Álvares de Azevedo. Confira uma entrevista feita por um de nossos repórteres:
REPÓRTER – Como você descreve a sua obra?
ÁLVARES AZEVEDO – Desde pequeno sempre gostei de ler e sobretudo de escrever. Adorava ler Victor Hugo, Shakespeare e Dante, além dos clássicos Byron, Musset e Heine; com certeza isso fez com que minha poesia fosse tão romântica, pessimista e subjetivista, com um certo tom sarcástico e irônico. Mas, principalmente, minha poética foi extremamente romântica. Ah, como eu amava! Pena não ser correspondido da maneira que sempre sonhei. Adorava retratar a figura feminina em minha poesia. Ora eu apresentava a mulher como uma virgem, bondosa e amada, ora como uma prostituta, ordinária e vadia (risos). Isso dependia exclusivamente do meu humor. Em casos extremos de melancolia, causada por diversos fatores, a morte constituía o principal tema em meus poemas.
REPÓRTER – De seus tantos poemas, qual deles é o seu preferido?
AZEVEDO – Com toda certeza “Namoro a cavalo” porque trata de um assunto mundano muito comum, o encontro de um casal de namorados juntamente com seus acasos infortúnios, com um pouco de humor, sarcasmo e ironia. Também dou grande importância para “Lembrança de morrer”, pois o escrevi talvez no ápice de um período conturbado de minha vida, devido a algumas circunstâncias ocorridas como a morte de meu querido irmãozinho.
REPÓRTER – Você sentiu muito a morte precoce de seu irmão?
AZEVEDO – Não há como não sentir falta de um irmão, não é mesmo? Minha família nunca chegou perto da perfeição, porém apesar disso, tudo foi um grande choque para minha irmã e para minha mãe, principalmente. Na época, vendo o sofrimento delas, cheguei a pensar em me suicidar, eu estava desolado, achava que nunca mais voltaria a rir como antes. Somado a isso, alguns dos meus colegas de faculdade também tiveram o mesmo destino trágico. Para tentar esquecer, ou pelo menos amenizar a perda deles, encontrei refúgio nas bebidas. Hoje em dia, vou ser sincero contigo, não consegui abandonar a vida boêmia totalmente, acho que nunca conseguirei; são feridas que a vida nos causa. Tento aliviar-me escrevendo o que mais gosto, poesias. E é assim que vou levando a minha maravilhosa vida: após escrever um mero poema, tomo um grande copo de cachaça.
REPÓRTER – Com certeza você já soube que o Brasil irá sediar a Copa do Mundo FIFA de 2014. Qual a sua opinião em relação ao planejamento da Copa?
AZEVEDO – Não sou nenhum leigo no assunto, mas acho que o Brasil está muito atrasado em relação ao prazo de execução das obras. Faltam somente dois anos e a “coisa” precisa andar. Torço para que não se repita o caos de transporte público que ocorreu na África do Sul. Muitos estádios estão sendo orçados além do previsto, e ainda há dinheiro público sendo envolvido na construção, o que eu sou totalmente contra. E principalmente, não podemos esquecer que o Brasil precisa fazer bonito dentro de campo, não repetindo o fiasco que foi na final da Copa de 1950. Acho que o Sr. Neymar deveria se preocupar menos com penteados de cabelo e se preocupar mais em jogar bola, que é o que importa. Fica a dica! Eu e mais milhões de pessoas, garanto pra você, estamos rezando muito para que o Brasil não passe vexame frente aos “gringos”.
REPÓRTER – Para finalizar, um jogo rápido:
POESIA – Dispenso.
GREVE – Ruim, porém necessária.
DECEPÇÃO – Não me lembro de nenhuma. Se tive, devo tê-la afogada há muito tempo atrás.
AMOR – Não correspondido.
SEXO – Gosto e recomendo.
HUMOR – Quase sempre, estou mal-humorado.
RELIGIÃO – Necessário.
MORTE – Um sonho de consumo.
FAGUNDES VARELA – Um bêbado.
ÁLVARES AZEVEDO – Um mancebo humilde acima de qualquer coisa.

Matheus Felipe Bosa

Incrível poeta e estudante de direito, Álvares de Azevedo nos inspira cada vez mais com seus maravilhosos romances.  Ex-aluno de Gonçalves de Magalhães, introdutor do Romantismo no Brasil, sempre teve ótimos exemplos em sua carreira.
Então Senhor Azevedo, além de seu antigo professor, quem são seus inspiradores para seus poemas?
Bom, eu vejo a vida repleta de inspirações.  Algumas delas são Lord Byron, François-René de Chateaubriand, mas principalmente Alfred de Musset. Eu gosto de buscar inspiração também no lado doentio das coisas. Eu aprecio a morte e vejo nela a cura para todos os males.
Através da leitura de seu poema lembrança de morrer parece-me que você deseja a morte. Você já cogitou o suicídio?
Sim, já cogitei. Acredito que tudo é mais fácil após a morte. A morte é uma válvula de escape fantástica com um único efeito, ser irreversível. Essa coisa de não poder se arrepender é difícil e além do mais ainda resta um resquício de fé nessa sociedade, por tanto em meu poemas, a morte não passa de uma metáfora.
O que você acha de nossa sociedade atual?
Eu considero o mundo muito decadente, o planeta está cada vez pior, as pessoas pensam que as coisas são fáceis, mas não são. Precisamos de pessoas que mudem isso. Acredito que a única maneira de fazer isso é através da arte. Por isso escrevo, espero que minha maneira de ver o mundo mude a maneira das pessoas agirem.
Mas você não acredita que sua maneira de ver o mundo é um tanto depressiva? As pessoas não se tornariam mais amargas e indiferentes em relação ao mundo?
Sim, é realmente. Ao transitar entre assuntos como amor e morte e sendo pessimista como eu, só poderia dar nisso, oras. Ao ver as coisas de uma maneira tão pessimista, se ocorrer algo bom será algo fantástico, ou seja, a velha histórias de que não deve se esperar nada de ninguém para não se decepcionar e se acontecer o excepcional é lucro.
Qual o motivo para você pedir para que ninguém derrame nenhuma lágrima por você?
Ao entrar no clima do poema, podemos notar que o eu-lírico deseja a morte, por tanto como é uma escolha a morte será apenas uma despedida e se é algo que eu desejei, por quê lamentar? Além de que, posteriormente eu ainda acrescento que nenhum motivo de alegria deve ser interrompido por minha causa.
A “virgem” citada no poema “Lembrança de Morrer” é alguém em especial? Alguém real? E qual o motivo de você citá-la?
Muitas pessoas passaram em minha vida e todas elas trazem dor e lamentação. A virgem representa todas essas mulheres perfeitas contudo inalcançáveis. Cito-a em meu poema pelo fato de ela representar o lado ruim de não conseguirmos tudo que desejamos em nossa vida.

Gabriele Burkoth de Andrade e Júlia Caroline Januário Wosch

Esta semana na Literatura Portuguesa Semanal, teremos uma entrevista muito especial, Álvares de Azevedo. O qual foi difícil contactar, afinal ele morreu a mais de cento e cinquenta anos. Depois de muitas tentativas e métodos de contacto espiritual finalmente invocamos o espirito dele.
Repórter: Olá senhor Azevedo, percebi que em suas obras há uma agonia em relação  ao amor e a morte. O que lhe serviu de influencia?
Álvares de Azevedo: Eu era muito fã do romantismo europeu e minha vida me influenciou muito. Sabe, a morte da minha irmã me afectou muito, além disso, a tuberculose estava matando tantos. É horrível ver gente morrendo, o mundo injusto, e não poder fazer nada. E em relação ao amor, é que nunca tive a oportunidade de ter uma relação romântica com alguém. Essas aflições no peito me deram muitas ideias para as minhas obras.
Repórter: No poema Lembrança de morrer, as ideias suicidas expressadas eram as mesmas que as suas?
Álvares de Azevedo: Sim, naquela época do ultrarromantismo a ideia de morte e sofrimento estava em alta. Todos nos temos problemas e nem sempre queremos enfrentá-los. Além disso, também tinha uma duvida sobre o post-mortem e como meus conhecidos reagiriam a minha morte, se eles ficariam tristes, se iam me esquecer e se poderia saber disto.
Repórter: Estávamos falando sobre o post-mortem. Há arrependimentos de sua vida após a morte?
Álvares de Azevedo: É irônico que quando estava vivo pensava muito na morte, e agora que e estou morto penso muito na vida. Minha morte precoce fez de minha vida algo incompleto. Não pude realizar muitas de minhas metas. Nunca tive um relacionamento romântico, nunca terminei a faculdade, nunca publiquei minhas obras e nunca mais pude expressar meu talento. Tudo isto foi uma decepção, acho que se tivesse outra chance poderia ter sido mais feliz.
Repórter: Voltando ao poema, você acha que ele é atual?
Álvares de Azevedo: com certeza. A angústia e a morte são temas que nunca se tornaram obsoletos. Afinal, não há humanos sem decepções, tristezas e sofrimentos. Os quais são ainda mais aguçados pelas inseguranças: se estaremos vivos amanhã, se o mudo realmente precisa de nós. Os problemas só mudam um pouco.
Repórter: O que você acha dos dias de hoje?
Álvares de Azevedo: É tudo muito curioso. Eu nunca conseguiria imaginar este mundo de informação e globalização que vocês vivem. Vejo que ainda há velhos problemas e novos também. Algo que me agrada muito é que minha obra e eu ainda somos lembrados, só gostaria de tê-los publicado em vida.

Douglas Mitsuo Yamada Yoshida

Qual foi sua maior inspiração para escrever o poema Lembrança de Morrer?
Lembrança de morrer foi um grande desabafo. Eu escrevi num período que eu estava completamente desiludido, tinha perdido pessoas importantes e eu não acreditava mais que continuar a viver seria possível. A morte, naquela época, era a melhor solução, a fuga perfeita e definitiva. Foi como uma despedida, mas no fim, eu não tiver coragem de, literalmente, fugir da vida. Eu simplesmente escrevi, deixei os sentimentos fluírem e tomarem conta de mim, eu fui apenas uma ponte entre meu coração e o papel.
Qual sua parte preferida desse mesmo poema?
“Descansem o meu leito solitário / Na floresta dos homens esquecida, / À sombra de uma cruz, / e escrevam nela: Foi poeta - sonhou - e amou na vida. “ Porque me descreve bem, é um resumo de tudo que se passa dentro de mim.  À sombra de uma cruz, um obstáculo, uma barreira. E apesar de todos meus problemas, eu sonhei e ainda sonho, amo a o inalcançável e faço arte por mim, pra me ajudar e se faz sucesso, melhor pra mim.
Você acha que as pessoas sentem pena de você por tudo que você já passou e por isso, leem seus poemas?
Na verdade, eu não sei te responder isso. Algumas pessoas devem ter esse tipo de sentimento ao ler, mas isso tudo foi essencial para mim. Todo meu passado, as dores, as percas, formam o que eu sou hoje, meu modo de pensar e de escrever. Porque, ao meu ver, tristeza também é arte. Toda minha angustia está descrita nos meus versos, é a minha forma de me libertar. Por isso, eu não ligo se alguém tem dó. Eu tenho orgulho de ser quem eu sou.
De que forma a morte do seu irmão Inácio inspirou  suas poesias?
Sempre fui muito ligado ao meu irmão, a  ausência dele fez me enxergar a morte, fez eu pensar em outras coisas, me sentir diferente. A minha vida sempre foi calma, e a minha emoção sempre foi de tristeza e de saudade. Lembro ainda das tardes em que jogávamos pião, ou quando lia alguma estória para ele. Ele é um elo perdido para mim, minha vida perdeu o afago da sua presença. E então, a morte está entre nós, a lembrança e a tristeza, assim como represento em "Lembrança de morrer", minha agonia, a angústia que me desprende da vida.
Os leitores percebem o a interação da sua vida com sua poesia, como acontece isso?
A minha vida é de altos e baixos e minha poesia se reflete assim. Por isso eu faço a aproximação dos extremos em algumas obras minhas colocando o meu sentimento nelas, por isso a Binomia, aí está o meu estilo poético. Pois onde estaria minha indagação, se não fosse retirado da vida que tenho? O meu sentir é traduzido em palavras, por isso eu escrevo, é onde reside a paixão do meu ser que representa a morte, o amor e essa junção que deflagra sobre meu peito.

(Alunos não identificados)
Eis um grande escritor da segunda geração romântica,sua morte ocorreu em 1852,mas por um “milagre da ciência” conseguiram ressuscitá-lo depois de muitos anos.Tive  oportunidade de me encontrar com Álvares de Azevedo após este milagre,não pude deixar de fazer perguntas a ele.
“-Nasceu de novo,hein...
-Sim, me sinto como um menininho novamente.
-Como se sente o ver seus trabalhos publicados? Sabemos que todos eles foram publicados postumamente.
-Sempre foi a minha intenção publicá-las, mas jamais imaginei um sucesso e impacto tão grande e ter conseguido tão alto prestígio.
-Qual seu poema favorito? (Digo, de algum outro autor)
-Gosto muitíssimo do Alfred de Musset, acredito que ele chegará,digo,chegou a ser um dos clássicos da nossa escola, um dos que gosto mais dele é o “Le rideau de ma voisine”,de “Le nuits”
-Você é patrono da cadeira número 2 da Academia Brasileira de Letras,  que me você diz sobre isso?
-Francamente, não mereço tal posição, sempre escrevi para me expressar, nunca me gloriar.
-E o que você me diz sobre a “Lira dos 20 anos”?
-Sim, sim... vocês querem mesmo é descobrir a minha inspiração,não é mesmo?
-Certamente... (risos)
-Bem, na verdade minha mãe amava o instrumento e sempre sonhou que, um dia, me casasse com uma lirista, bem...a encontrei,mas não tive a oportunidade de me casar..
-E quem é a moça?!
(risos)-Jamais saberão, na verdade ela morreu muito jovem,prefiro manter sua identidade em secreto.
-Está certo... Bem, um prazer conhecê-lo e parabéns por suas obras... Certamente nos trouxe um enorme apoio cultural.
-Eu é que agradeço por poder conversar um pouco depois de tanto tempo em silêncio...
-Obrigada, até mais.”

Isis Carolina Munhoz
– Por que você começou a escrever poemas? O que eles representam para você?
– Todos nós temos aqueles momentos nos quais a vida parece deixar de ter sentido, além daqueles outros momentos de depressão profunda. Nestes momentos, tentamos nos distrair, resolver problemas, nos divertirmos, e coisas do gênero. Eu escrevo poemas. No começo, eles eram apenas isso: um desabafo de tudo de ruim que acontecia comigo. Depois comecei a vê-los com mais seriedade. Saí do estereótipo de “poemas frufrus” e comecei a satirizá-lo. Mas nunca vi os poemas como obrigação. Eles sempre serviram de escape do mundo real.
– Qual o motivo de tanta fixação pela morte em seus poemas?
– Em situações de extremo desespero ou depressão, eu tentava imaginar quais seriam as soluções possíveis para todos os meus problemas. Começava em soluções simples, mas os meus pensamentos sempre evoluíam para ações radicais. No fim, eu sempre pensava na morte. Afinal, o que é a morte se não uma libertação? Um morto não tem nenhuma destas preocupações estúpidas dos vivos. Claro, eu nunca cheguei a tentar cometer suicídio. Eram apenas pensamentos. Mas eram fortes o suficiente para eu escrever uma enorme variedade de poemas a respeito deles.
– Se você não tivesse morrido tão jovem, acha que teria continuado a escrever poemas e fazer tanto sucesso?
– Essa coisa de “fazer sucesso” é um desejo de jovens. Com a idade avançando, eu provavelmente acabaria escrevendo mais para mim do que para os outros. Então sim, continuaria a escrever, mas sem pensar em fazer sucesso. Caso isso viesse a acontecer, seria uma consequência muito bem-vinda. Se não, tudo bem também.
– A dor do eu-lírico do poema “Lembrança de Morrer” está diretamente relacionada com a sua própria dor na época em que escreveu o poema?
– Com certeza. Eu era uma pessoa depressiva, e não estava nos meus melhores dias. A minha introversão social e dificuldade em me relacionar com as pessoas ao meu redor me afetava muito. E só piorava quando eu estava apaixonado. Acabei pensando em morrer, assim como disse que fazia com frequência agora há pouco.
– Você acha que essa sua timidez foi causada pelo seu muito tempo gasto escrevendo poemas? Ou foi a timidez que o fez começar a escrever poemas?
– Creio que foi a timidez que me fez iniciar no ramo da poesia. Já que eu tinha tanta dificuldade em conversar com as pessoas (especialmente mulheres), acabava me refugiando à companhia de um pedaço de papel e de um lápis. Mas não vou negar que isso gerou uma bola de neve, pois quanto mais eu escrevia, menos socializava. Isso me deprimia e me deixava com mais vontade de escrever. Mas, conforme eu cresci, eu fui deixando de me importar. Os meus poemas, então, deixaram de se originar dessa tristeza.

Gustavo Cordeiro Libel e Lucas Kaminski de Freitas
Você acha que sua vida pessoal, íntima e familiar tem alguma influência em seus poemas?
Sim, acredito que a convivência com meus pais e a morte de meu irmão teve grande influência em meu trabalho e, sem duvida nenhuma, marcaram minha vida. Como escrevo bastante sobre minha vida cotidiana isso teve grande impacto em meus poemas. Minha vida intima também influenciou minhas obras, tendo amado como todo homem, não posso reagir a não ser tomar isso como inspiração.
A morte do seu irmão, como ela afetou seu trabalho?
Sempre fui muito próximo a meu irmão e sua ausência em minha vida me deixou com um grande sentimento de tristeza e saudade. Minha vida antes desse fato era calma e serena, mas logo notei que a vida não é assim, que a morte anda entre nós e não consigo controlar a angústia e agonia que sinto, e acredito que para qualquer pessoa que lê meus poemas é fácil notar esses sentimentos.
Em “Lembrança de Morrer”, qual foi a maior inspiração que lhe ocorreu enquanto você escrevia?
Quando escrevi Lembrança de Morrer, minha vida estava em caos, eu estava desistindo de acreditar que minha vida podia continuar do jeito que estava, escrevi esse poema para poder me livrar desse peso em meu coração, botei tudo que sentia nessas palavras, quase não pensei, apenas deixei as emoções escaparem para o papel.
Há algum trecho nesse poema que você acredita que reflete sua vida naquele instante?
“Sombras do vale, noites da montanha/ Que minha alma cantou e amava tanto, / Protegei o meu corpo abandonado, / E no silêncio derramai-lhe canto/ Mas quando preludia ave d’aurora/ E quando à meia-noite o céu repousa, / Arvoredos do bosque, abri os ramos... / Deixai a lua pratear-me a lousa!”
Acredito que esse trecho reflete melhor minha situação, eu estava em desespero como lhe disse, não acreditava em outra saída alem da morte, mas no fim, continuei vivendo, desabafei, me livrei daqueles sentimentos e segui em frente, não sabia por quanto tempo, mas sabia que não era minha hora.
Que mensagem você gostaria de passar com o trecho “Foi poeta - sonhou - e amou na vida”?
É um trecho forte para mim, faz um tempo que estou pressentindo minha morte e gostaria de deixar essa mensagem guardada no papel, como uma forma de esclarecer o modo que encarei a vida. Sempre coloquei meus sentimentos nas poesias e me entreguei profundamente a eles, sonhando com coisas maravilhosas e amando intensamente dentro desses sonhos.

Renan Daniel Basso e Lucas Mendes Lichs
Quais grandes poetas e escritores influenciaram o senhor?
Admiro muito poetas e escritores brasileiros, mas os que me dão gosto de ler são os de autoria estrangeira, como Lorde Byron e Shakespeare.
Que elementos de linguagem você usa para descrever a política e o nacionalismo?
A ironia é um traço bem presente em minhas obras. Se não me engano, sou o primeiro autor brasileiro a incorporar o sarcasmo e a ironia em meus versos. Eu, que era antes tão romântico, agora rio de clichês amorosos e da idealização do amor e da mulher.
Outra característica bastante marcante em suas poesias é o medo de amar, no qual está associada inteiramente ao amor platônico. O senhor acha que esta característica está mesmo presente em seus textos?
Realmente, meus personagens se apaixonam perdidamente por mulheres casadas, comprometidas, ou com qualquer outra complicação que torne esse amor impossível. Eu mesmo produzi alguns poemas dedicados a alguma mulher comprometida, pelas quais me apaixonei, as mantendo no anonimato, para não arranjar qualquer tipo de complicação.
O senhor acha que foi um dos poucos poetas brasileiros que cresceram em condições favoráveis ao desenvolvimento intelectual?
Penso que sim. Diferente de muitos, nasci em família rica e tradicional. Desde pequeno já devorava dezenas de volumes de autores clássicos que pedia à minha mãe e à minha irmã para trazerem da Europa.
O senhor alguma vez teve medo de morrer?
Não, sempre encarei a morte como solução da minha crise e de minhas dores, como digo em meus poemas.
Jordão Vyctor Cunha Soviersovski

Por que dessa sua busca pela morte?
A vida é entediante, só traz tristezas e dor, morrer é a única coisa que pode me livrar desse sofrimento, eu sei isso soa muito clichê, a maioria dos poetas hoje em dia busca pela morte como forma de livrar das dores da vida, mas eu realmente busco a morte por não conseguir ter muitas alegrias nem consegui alcançar algum amor, morrendo eu irei esquecer-me disso e esse sofrimento vai acabar.
Se você morresse amanha sentiria saudade de alguma coisa?
Do meu pai, da minha mãe e de meus amigos, essas pessoas me ajudaram sempre quando estava doente, acho que é a única coisa que me trouxe alegria em minha vida, mas mesmo assim foram poucos os momentos que me trouxeram felicidade.
Se você morresse teria arrependimento de não ter feito algo?
Nunca ter amado de verdade alguém, nunca consegui um amor correspondido, sempre esperei e continuo esperando, talvez tudo o que eu vivi for para achar alguém que me amasse, mas se eu encontrar toda essa tristeza será recompensada.
Existe alguém que lhe inspira? Quem é?
Lord Byron, Goethe, François-René de Chateaubriand, mas principalmente Alfred de Musset, gosto dos trabalhos deles, traduzi algumas delas, foi pela influencia deles que eu comecei a escrever para expressar meus sentimentos.
O que você espera apos a morte?
Que ninguém chore por mim, não quero que as pessoas fiquem tristes por eu ter morrido, eu não estarei sofrendo nem triste, talvez isso seja o mais perto que eu consiga chegar de ser feliz, também quero que as pessoas lembrem de mim como um poeta que sonhou e amou.

Alexandre Vinicius Hubert e Davi Boberg

Entrevista com Álvares de Azevedo (Lembrança de morrer)
-(repórter) Quando o senhor escreveu “Que o espírito enlaça a dor vivente” o senhor estava com algum problema em sua vida?
-(Álvares de Azevedo) Sim, eu estava com algumas dores na barriga fazia meses, e também fui a um pai-de-santo, pois estava com muitas energias negativas ao meu redor inclusive foi durante esse despacho que tive a inspiração para escrever este poema.
-(repórter) Como dito na sexta estrofe, que é comentado a palavra “pai”, o senhor se lembra dele?
-(Álvares de Azevedo) Claro, mesmo ele tendo morrido a muitos anos, eu ainda me lembro dele. Ele era um senhor muito honesto e educado, eu sinto muita falta dele.
-(repórter) Na segunda estrofe o senhor fala sobre “nota de alegria”, o senhor sabe tocar algum instrumento?
-(Álvares de Azevedo) Sim sim, sei tocar vários; sei tocar violão piano, violino, entre muitos. Adoro dar tons musicais aos meus poemas, e na verdade, quando eu comecei a escrever eu escrevia musicas e não poemas.
-(repórter) Na ultima estrofe, o senhor fala sobre “arvoredos do bosque”, o senhor sabe algo sobre plantas?
-(Álvares de Azevedo) Não muito, sei só sobre as plantas que minha avó usava para curar nossas doenças, e sobre as plantas que minha mãe usava para cozinhar. Esses arvoredos que comentei ficavam perto da minha casa quando e eu era criança eu brincava ali.
-(repórter) No décimo parágrafo o senhor fala sobre uma cruz, o senhor é muito religioso?
-(Álvares de Azevedo) Eu era muito religioso só que quando cresci, muitas coisas ruins me aconteciam e minha fé nunca me ajudou, então, eu fui perdendo-a conforme o tempo passava. Hoje, a fé que me resta, é o que sobrou do tempo que eu era religioso.
-(repórter) O senhor vai continuar escrevendo?
-(Álvares de Azevedo) Claro, até o dia que eu morrer, pois eu amo escrever, e o que me ajudou a escapar da dura realidade.

Esta foi a entrevista com Álvares de Azevedo sobre seu poema “Lembrança de morrer”.

Victor Lopes Gabriel

Estamos aqui hoje com Álvares de Azevedo, famoso escritor brasileiro, patrono da segunda cadeira da Academia Brasileira de Letras, para uma breve entrevista. É um prazer estar em sua presença, estamos honrados.
O prazer é todo meu. Muito obrigado pela oportunidade da entrevista.
Bom, vamos à primeira pergunta: você sofreu influência de algum autor para escrever seus poemas?
Creio que sim; sempre gostei muito de Byron (alguns, inclusive, já me disseram um “poeta byroniano”), admiro Goethe e Chateaubriand. Mas, apesar disso, tenho a impressão de que Alfred de Musset me marcou de forma mais profunda. Quanto ao estilo, ouso voltar à minha primeira menção: Byron. Temos temas, por vezes, muito similares, e acredito ter, involuntariamente, “copiado” alguns termos e um pouco o formato das poesias. Inclusive fiz questão de traduzir uma obra dele, “Parisina”.
Falando nisso, além de escrever poesias, você teve outra atividade relacionada à literatura?
Sim, sim. Como já disse, traduzi “Parisina”, de Lorde Byron, e o quinto ato de “Otelo”, de Shakespeare. Esses foram os trabalhos que não escrevi propriamente. Também escrevi “Noite na Taverna”, um romance, e “Macário”, um teatro. Poucos sabem que me aventurei em um poema épico, mas não sei se deu muito certo.
A morte do seu irmão, quando criança, influenciou sua escrita?
Infelizmente, diria que influenciou. Fiquei muito abalado com a morte dele, e pode ter sido o que me levou a sentir tamanha atração pelo sombrio e mórbido. Também está presente em alguns poemas, ou ao menos é uma das fontes do sofrimento que uso para escrever. Também houveram as mortes de dois amigos, sempre algo  muito doloroso. Podemos ir para a próxima?
Certo, me perdoe. O que pode me dizer sobre a “Lira dos Vinte Anos”?
Ah, a Lira! Esse livro tem muitas histórias... Eu queria escrevê-lo com outros dois amigos, e chamá-lo de “Três Liras”, mas acabou sendo só meu. Talvez seja essa a razão de ter posto três atos... Acho divertida a separação que fizeram, com a primeira e a última de Ariel e a segunda de Caliban. Foi feita essa divisão devido ao tema e à minha forma de abordagem: como “Ariel”, escrevi de forma mais sentimental e inocente, um romântico como sou. Já como “Caliban”, dei vazão a todo o meu sarcasmo, e ironizei até meu próprio estilo... Não sei, sinceramente, de qual gosto mais...
Para finalizar, o que acha do poema “Lembrança de Morrer”?
Ah, a morte! Doce e cruel destino dos homens, sempre à espreita para capturar seu espírito e aplacar a sua dor... Mas estou divagando. Considero um de meus poemas mais pessoais e profundos. Sonhei como nunca antes, e creio ter capturado a essência da morte em si e por si, e mostrado sentimentos diferentes e complexos. O que dizer, simplesmente o adoro!
Obrigado por tudo, Álvares.
Foi um prazer.

Carlos Eduardo Gavloski e Sabrina Mota Marcondes

Não é todo dia que algum pai de santo baixa alguém tão importante, mas vindo do interior do Ceará, Chiquinho, ou pai Chiquinho, baixou o espírito de Álvares de Azevedo.
Aproveitando a oportunidade, enviamos nosso repórter especial do Ceará a fim de saber um pouco mais do escritor.

Repórter – Oxente! Quem te influenciou e por quê?
Vejamos, durante minha vida li diversas obras, entre elas, li Goethe, Chateaubriand e principalmente Musset e Byron. Meu estilo foi influenciado por Musset e Byron porque eu me identificava com o estilo de escrever. Nos meus poemas pode-se observar a semelhança com Byron na temática, na estrutura e nos termos utilizados.
Repórter – Oh muleque arretado! E que o cê achou das homenagens que recebeu depois de morto?
Na verdade eu preferia que tivesse recebido em vida e em dinheiro, mas foi muito legal a análise que o Machado de Assis fez sobre “Lira dos vinteanos”. Ah! E não posso esquecer que me tornei patrono da cadeira 2 da academia Brasileira de Letras.
Repórter – Oxi Bichinho que legal. E além das Poesias o cê escreveu outras coisas em outros formatos?
Escrevi sim, escrevi “Macário” que é uma peça de teatro, escrevi “Noite na Taverna” que eram contos e também fiz traduções de Otelo, Shakespeare e “Parisina” de Byron.
Repórter – Ó paí ó! O seu poema “Lembrança de morrer” tem um tom bem depressivo, isto tem referência ao seu passado?
Sim desde pequeno tive contato com a morte, com quatro anos, meu irmão  morreu e eu sofri muito a sua perda, em outro episódio, quando estive de férias na fazenda de meu avô, senti a morte por lá e resolvi voltar para São Paulo.
Repórter – Vixi mainha! E ocê poderia, pra terminar, nos contar com foi sua vida na escola?
Na verdade, no colégio os professores me adoravam porque eu era um gênio, mas no outro colégio do Rio me odiavam porque eu caricaturava outros alunos e professores.

Davi Ferrazza Cavinatto e Ronaldo Renan de Almeida

Talk boy - E hoje em nosso talk show ninguém menos do que ele, filho do doutor Inácio e da dona Luisa, com seus 21 anos incompletos, portador de uma das mais nojentas tuberculoses que já vi, autor de poesias românticas espetaculares (mas que não foram publicadas porque ele ainda está vivo), Álvares de Azevedo!
Plateia: Eeeeeeee...
Á. A. - Não parem... não quero que uma nota de alegria se cale por meu triste pensamento.
Plateia: Eeeeeeee...
Talk boy - Tudo bem, já chega, vamos começar. Ok senhor Álvares, diga-me, como foi criar poema tão belo que é “Lembrança de Morrer”? Como foi o processo de criação? Inspiração?
Á. A. - Não houve inspiração, não houve vida, vivi a morte, salvo as vezes que observando minha amada encontrei-me. Era como se o orvalho ascendesse novamente aos céus, o “moon walk” fosse feito para frente, absurdo o era mas fazia o vital em meu ser, por alguns momentos, lembrar que a vida existia. No mais, a construção da obra foi aglomerar minhas lembranças, excluir as que possuíam os olhos reluzentes de minha amada, e reproduzi-los em fibra de celulose.
Talk boy - Mas você faz referência a sua prometida no poema, por quê?
Á. A. -Sim o fiz, mas de maneira brevíssima, o que escrevo, ou melhor, sinto na obra é que esta virgem por mim sonhada em noites enluaradas, lábios não me encostaram, amor não possui. E, creio eu que, no fundo, ela também me mata, de maneira lenta e dolorosa, quanto à obra a fez mais completa, quanto a mim, faz-me adormecer perante os ventos que atravessam os séculos, maldito tempo!
Talk boy - Nossa. Bem, você é extremamente devoto a sua família, conte-me como foi a convivência com estes.
Á. A. - Vivíamos muito bem, como em algumas obras cito partes belas de minha infância. Da minha mãe tenho saudades, estava sempre a velar minhas noites com seu amor, carinho, em biscoito e um copinho de leite. De meu pai, um grande amigo, um grande alcoólatra, às vezes ao chegar no lar, fazia aquele céu que ocorria desabar, em chamas queimar, maldito lugar! (tosse nojenta)
Talk boy - Você também cultivou o humorismo, como no poema “ A lagartixa”, gostaria que você declamasse uma parte deste e falasse como, depois de tanto enfatizar o mal do século, os escrevia.
Á. A. - “ A lagartixa ao Sol ardente vive/ É fazendo verão o corpo espicha: (se é que me entende)/ O clarão de teus olhos me dá vida/ Tu és o Sol e eu sou a lagartixa. “ Foram inúmeras tentativas falhas de conquistar aquele docinho de jiló, sendo de maneira bela munindo-se de floreios literários sofisticados, ou ameaçando abraçar o pássaro da morte e voar para o fim. Tentei pois o humor, para ver se causaria eu mesmo aquele sorriso lindo naquela criatura angelical, não consegui, maldita mulher! (tosse, tosse, tosse...)
Talk boy - (observando os poemas em mãos) Faça suas considerações finais para encerrarmos.
Á. A. - Gostaria de dizer que este diálogo foi um tédio, que assim como o tempo que passo longe de minha amada, contenta-me os intervalos nos quais posso idealizá-la em minha mente, em minha alma. Quanto à hoje foi um desprazer falar com você. Maldita vida! (tosse, tosse bastante, tosse infinita, morreu.)
Talk boy - Até que em fim terminou!

Guilherme Luís Salkovsky e Lucas Agustin Mangini da Silva

Hoje entrevistarei Álvares de Azevedo, poeta brasileiro muito importante, pertencente à segunda fase do Romantismo. Nesta entrevista ele comenta sobre sua vida, seus familiares, suas dores e a época em que esteve próximo a morte.

Entrevistador - Álvares de Azevedo, como foi a experiência de deixar seus pais no Rio do Janeiro e ir estudar direito em São Paulo?
Álvares de Azevedo - No começo achei que seria muito bom obter esta independência, porém, com o tempo descobri que conciliar a vida de estudante com os afazeres de casa não é nada fácil e acabei tendo dificuldades. Mesmo com todas as dificuldades consegui me manter muito bem, porém, tive de voltar para minha casa no Rio quando sofri de uma tuberculose pulmonar.
Entrevistador - E sobre esta tuberculose pulmonar, o que você pode nos contar?
Álvares de Azevedo - Tive muitas dificuldades com esta doença, mas após voltar para o Rio logo comecei a me tratar em um hospital. A força que recebi de minha família foi muito importante, acho que posso até dizer que não passaria por isso se não fossem por eles, mas com todo esse apoio junto ao tratamento hospitalar consegui passar por esta tuberculose.
Entrevistador - Como foi escrever poemas após a recuperação desta doença?
Álvares de Azevedo - Após esta doença escrevi alguns poemas como, por exemplo, “Lembranças de Morrer” no qual descrevo a dor que sinto ao passar por uma situação em que a dor física e emocional está tão presente.
Entrevistador - Mudando um pouco de assunto, qual são as características que você gosta de expor nos seus poemas?
Álvares de Azevedo - Em meus poemas, eu prefiro exaltar o sentimentalismo, normalmente o que estou sentindo ao escrever podendo isto englobar desde dor até um sentimento puro como o amor. Em alguns poemas cito também meus pais que foram de grande importância para mim.
Entrevistador - Um poema que você citou, “Lembranças de Morrer”, fale-me um pouco sobre este poema.
Álvares de Azevedo - Este poema escrevi logo após a minha recuperação, e foi baseado em como me senti durante o tratamento. Cito meus pais e a saudade que sentiria deles, e também minha donzela pela qual sempre sonhei, mas não tive a honra de conhecer. Este poema é um dos que eu exalto a minha dor e a morte como foco principal.

Artur M. Choinski  e Lucas Olini

6 comentários:

  1. Ficou bem interessante o casamento entre a vida do autor e o gênero textual de entrevista... acho que deu um resultado muito criativo

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  2. Todas as entrevistas foram boas no que dizem respeito ao conteúdo de vida de Álvares de Azevedo, essa é uma boa maneira de aprender sobre o poeta.

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  3. Adorei. Adoro Álvares, sempre tive curiosidade sobre o que ele pensava, sobre o quem ele era. Esse trabalho ficou muito interessante :)

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  4. Achei a ideia interessante. O texto na forma de entrevista deixa o conteúdo mais fácil de ler e entender.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Concordo com a Carmem! E além de ser muito mais didático aprender sobre esse consagrado autor utilizando o método de entrevista, tornou a leitura muito mais atrativa a quem desconhece a vida de Alvares de Azevedo.

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