Um mundo de
viciados
Que a internet é uma evolução absurda para a nossa sociedade,
ninguém pode negar, mas o problema começa quando há uma necessidade insaciável
de usá-la a todo o momento.
Quando o professor Diório sugeriu um experimento
para nós provarmos um pouco da solidão, achei uma ideia muito interessante, já
que realmente não temos tempo para nós mesmos, sempre ligados com pessoas que
estão distante, seja pela internet ou pelo celular. Particularmente, eu não
tive muitos problemas para cumprir essas 24 horas sem redes sociais e sem
trocar mensagens pelo celular, mas sei que muitos tiveram. Eles estão
acostumados a se comunicar o tempo inteiro, muitas vezes deixando as pessoas
que estão presentes no mesmo local de lado, focando apenas nas pessoas com quem
conversam pelo celular. Isso também é comum no ambiente familiar, pois as
crianças e adolescentes ficam muito mais tempo no computador do que interagindo
com seus pais, o que é o começo de muitos problemas familiares.
Esse experimento foi importante para percebermos
quão dependentes das redes sociais nós somos, pois creio que todos sentiram
falta de entrar no facebook, twittar o que fez no dia ou postar uma foto no
instagram. E também foi igualmente importante para que nós tivéssemos um
momento de reflexão, para ver se às vezes não é melhor desligar o computador,
deixar uma mensagem sem resposta e parar um pouco para ler um livro ou ficar um
pouco com a família. Talvez alguns tenham tido o mesmo pensamento que eu, mas
creio que a maioria nem pensou nisso, o que eu acho uma pena, já que se
desligar um pouco do mundo pode ser muito benéfico.
Luiz Eduardo Adriano Eifler
Todo dia quando chego da UTFPR a primeira coisa que
eu faço é ligar o computador, além do mais é inegável que eu uso o celular para
mandar mensagens de texto o dia inteiro, sendo essa minha forma de comunicação,
muitas vezes o receptor da mensagem não está há nem 50 metros de distância de
mim, algumas pessoas eu nem tenho contato pessoa-pessoa, somente por sms ou
redes sociais. Na atualidade é impossível ficar desconectado, tudo agora é via
internet, colegas de classe têm e-mails da turma e grupos em que conversam e
trocam ideias sobre as matérias escolares, contato humano se tornou
dispensável, ou melhor, desnecessário.
Como algumas pessoas eu aceitei fazer a experiência
de ficar longe da tecnologia por 24 horas, o dia que fiquei foi quarta-feira
junto com mais alguns de meus colegas de turma, coincidentemente tinha um
aniversário para ir e eu também tinha adiantamento à tarde. Do colégio fui para
a casa da minha mãe e dormi até o horário da festa, lá pelas 19:00, e só fui
embora às 23:00, então por mais que eu quisesse não teria tempo para me
conectar a internet, sendo assim decidi fazer mais um dia, visto que o meu
objetivo era realmente sentir falta da interação constante, fazer coisas mais
produtivas do que apenas assistir séries no computador, atualizar o facebook e
por que não pensar na vida?
Foi então que raiou o dia de quinta-feira e as
mensagens continuavam se acumulando, alguns de meus amigos até se
impressionaram de eu me submeter a mais um dia de experimento, era difícil para
todos acreditar que eu queria me isolar por vontade própria. A manhã foi fácil,
mas chegar em casa e não ligar o computador foi uma tentação, tentei arranjar
algo para fazer, mas terminei arrumando meu quarto, reorganizei o armário,
guardei as roupas que estavam em cima da cama, passei aspirador e arrumei meus
cadernos jogados em cima da escrivaninha, o suficiente para ocupar meu tempo e
minha cabeça. Costumo parar um pouco durante meu dia para pensar, refletir, mas
normalmente isso acontece inconscientemente e só me traz más lembranças, a
primeira associação que fiz quando o Diório falou do experimento foi com a
reflexão da minha vida, mas eu estava esperando para tê-la.
Na sexta-feira comecei a ler um novo livro no
ônibus que comprarei há mais de 6 meses atrás, mas nem começara a ler por
“falta de tempo”, cheguei em casa direto da UTFPR e liguei o computador, como
nos velhos tempos, entretanto antes de me conectar dormi um pouco. Como se não
fosse tarde demais tive a minha esperada epifania, vinda pelo formato de um
sonho ruim, não se classificava exatamente como pesadelo, porque não dava medo,
apenas me mostrou algumas verdades que eu já tinha conhecimento, mas preferia
não aceitar, mas isso não foi tudo, depois de mexer um pouco na internet, e ver
algumas séries veio a segunda parte da minha epifania, todos os meus problemas
pareceram se simplificar, vi os defeitos e as soluções, por mais que difíceis e
algumas até exigissem tempo e força de vontade eu me comprometi a resolvê-los.
Mais de uma semana depois e eu continuo seguindo
meu plano de metas, fiz questão de anotar minhas ideias para que assim não
pudesse dizer que me esqueci qual é o problema e a solução mais adequada. Sei
como é difícil mudar, mas também sei o quanto é prazeroso quando se muda para a
melhor. Não me arrependo de ter participado da experiência, na verdade gostei e
definitivamente faria de novo, pois acho que só tem a me acrescentar na vida e
quem sabe eu não comece a fazê-la pelo menos uma vez por mês?
Lívia Sajovic Alegre Petramali
Apenas um
experimento...
Fico realmente feliz em perceber que não sou um
prisioneiro do mundo atual. Todos os dias eu mando mensagens, mexo nas minhas
redes sociais, me interajo com o mundo, mas ao realizar o experimento, percebi
que não é uma coisa que me faça ter abstinência.
Consegui realizar as 24 horas combinadas. Na
verdade fiquei mais o fim de semana inteiro sem entrar no facebook nem no
twitter. Mensagens eu mandei somente na manha de sábado.
Percebi que mesmo avisando meus colegas sobre o
experimento, muitos deles continuaram me mandando mensagens de bom dia, boa
noite, horas iguais e até mesmo fazendo perguntas. Até algumas ligações
desesperadas recebi, mas não as atendi.
O que tiro de positivo desse experimento é que
mesmo com a pressão que fazem sobre a sociedade, mesmo sem o encontro cara a
cara, consegui ter um tempo para refletir e pensar sobre como está sendo minha
vida, o que posso melhorar e sobre o que será do meu futuro, tempo que a partir
de agora, irei tirar todos os dias, mesmo que sendo enganando meus amigos que
irei dormir mais cedo.
Matheus Felipe Fagundes das Neves
Um momento
de reflexão
Não achei muito difícil ficar 24 horas sem me
comunicar virtualmente, exceto nos momentos de ciúmes. Não cumpri com a
experiência, pois mandei uma mensagem na quinta-feira à noite para saber onde
meu namorado estava. Imagino que para quem é ciumento, como eu, não foi nada
fácil!
Apesar disso, consegui controlar a vontade de
entrar no Facebook, e nesse tempo, aproveitei para pensar em mim, nas
minhas metas, nos meus sentimentos, nas minhas atitudes, etc. Foi um momento
muito proveitoso, pois consegui organizar a minha mente e me sentir bem.
Muitas vezes tentamos fugir dos problemas e
procuramos algo que nos divirta, como por exemplo, as redes sociais, e não
percebemos que seria muito mais fácil resolvê-los se parássemos para pensar no
tal problema.
Yullie Gabir Prandel
Ilhado
“Passe 24 horas sem acesso ao facebook,
twitter, tumblr, Skype, jogos online, isto é, sem acesso a internet. Além
disso, não mande mensagens de texto! O celular só é válido no caso de alguma
emergência e para fazer ligações. O tempo que você usava para essas coisas,
deve ser utilizado para pensar um pouco em si mesmo”. Sim, em pleno século XXI,
ao ouvirmos algo desse tipo pensamos imediatamente que se trata de alguma
brincadeira. Mas, no entanto, foi exatamente a proposta que o professor Diório
nos fez.
Essa experiência deveria ser
efetuada das 18 horas do dia 6 de dezembro até às 18 horas do dia 7. Logo a
primeira vista, ficou claro, para mim, que seria muito difícil completar essa
tarefa, já que mandar torpedos e verificar atualizações do facebook tornou-se
praticamente um vício.
Desde a manhã do dia 7, avisei as
pessoas para quem usualmente mando mensagens sobre a experiência que iria
realizar, a fim de que não ficassem preocupadas. Ás 17:59, mandei minha última
mensagem e comecei o experimento. Arrumei a mala para o dia seguinte, organizei
alguns cadernos e minha escrivaninha, preparei o jantar, tomei banho...
Foi quando percebi que não tinha mais o que fazer, eram 21:00.
Resolvi deitar na cama e ouvir
música. Alguns pensamentos começaram a surgir em minha mente, um em especial
chamou minha atenção: Comecei a lembrar de muitos amigos que passaram pela
minha vida, e vi que estava sentindo saudades deles, com isso percebi que no
mundo atual, onde todos se comunicam com todos, o mundo da internet, eu
incrivelmente tinha perdido o contato com eles. Tratei de afastar esse
pensamento, uma vez que a vontade de ligar o computador e procurar tais colegas
no facebook era imensa.
Muitas outras reflexões passaram
pela minha cabeça, principalmente algumas dificuldades que tive na mesma
semana. Novamente a vontade de entrar na internet surgiu, não obstante, entendo
que dessa vez o desejo surgiu como forma de evitar pensar nos problemas, o que
de certa forma fiz ao ir ver televisão. Vi um trecho de um filme e voltei para
a cama, pois já era meia-noite e tinha aula pela manhã.
Quando deitei não consegui dormir,
logo voltei a refletir em outras coisas que aconteceram durante a semana,
principalmente em algumas atitudes que tinha tomado. No dia seguinte, acordei
atrasado e acabei acidentalmente enviando uma mensagem para um amigo guardar um
lugar na sala para mim e outras mensagens em seguida. Foi quando recebi uma
mensagem em resposta, que percebi o que tinha feito. Dessa forma o experimento
acabou, e fiquei “ilhado” somente por 12 horas, o que me deixou um pouco
frustrado, pois demonstrou que sou realmente “viciado” em me comunicar a
distância com outras pessoas, ou em outras palavras, não consigo mais ficar só.
Apesar de não ter conseguido
completar o que me foi proposto, foi algo muito interessante de ser realizado e
que me acrescentou duas coisas importantes: Primeiro muitas vezes não nos damos
conta de que a internet esta cada vez mais conectando as pessoas ao mundo, e
devemos usá-la para achar pessoas com as quais muitas vezes perdemos contato; e
segundo, pelo ritmo frenético que as nossas vidas têm, muitas vezes não paramos
para pensar nas ações que tomamos no dia-a-dia, podemos machucar pessoas com as
quais convivemos sem mesmo nos darmos conta. A experiência me ajudou a adotar o
hábito de diariamente passar uma hora inteiramente sozinho, refletindo sobre mim
mesmo.
Filipe de Luca Hartje
A obrigação
A solidão positiva é caracterizada
por um momento particular de crescimento pessoal através da reflexão. Para se
chegar a ela não basta apenas ficar longe de pessoas e desligar seus
dispositivos móveis e imóveis.
Quando me “desliguei do mundo” e
fiquei sem fazer nada, as únicas coisas em que conseguia pensar eram em como
organizar minhas atividades semanais e que precisa, no sentido mais próximo de
obrigação, fazer um momento de reflexão.
O saldo de tudo isto é a certeza
de já nos acostumamos a viver para o mundo. Prova disto é que mesmo sem poder
criar coisas para o mundo só pensamos nelas.
Eduardo Rodrigues Maneira
Foi talvez por reconhecer que sou
prisioneira da comunicação à distância para a comunicação geral que nem quis
participar do experimento. Os compromissos são marcados por facebook; as
notícias são acompanhadas por blogs e twitter; as conversas com as
pessoas importantes para mim são por sms e facebook. Eu não gasto tempo vendo timelines.
Seleciono atualizações de quem me interessa para receber. Mas se eu pudesse
trocar, preferiria mil vezes ter aulas online, por exemplo, para poder gastar
tempo presencial com as pessoas que eu amo. Dessa forma, acho que eu não
trataria a situação como um vício em facebook, ou em mandar sms, mas
trataria como uma necessidade de comunicação, que precisa ser satisfeita meio a
muitas coisas para se fazer. Não é um vício no meio de comunicação. É que é o
único meio mesmo. Ou, muitas vezes, o mais eficiente. Há épocas em que não
consigo separar tempo para sair com os amigos, encontrá-los pessoalmente.
Mesmo assim, valorizo o tempo
comigo mesma, como uma das tarefas a serem cumpridas. De outra forma não
consigo lidar com a quantidade de obrigações. Preciso refletir sobre tudo. Isso
talvez aconteça devido à minha personalidade introvertida. Eu tenho essa
necessidade de parar para refletir, procurar textos e músicas que possam
acrescentar algo aos meus pensamentos.
Talvez pessoas extrovertidas não
tenham essa necessidade tão forte, mas se eu não paro para desembaraçar meus
pensamentos eles me perseguem embaraçados e não me deixam estudar ou fazer
qualquer outra coisa. São momentos curtos, mas essenciais estes separados:
banho, ônibus, hora do pôr-do-sol e hora de dormir. Portanto, eu sou
dependente das redes sociais e do celular para a comunicação, o que talvez seja
ruim, mas eu não vejo como mudar agora. Entretanto, isso pouco me prejudica nos
momentos que eu separo para a “solidão saudável”.
Raquel Purin de Sousa
Uma pergunta que venho me fazendo há algum tempo é
até que ponto chega a correlação entre a socialização moderna e a interconexão
pela mídia manipuladora. Se há algo a ser discutido, é o modo como se trata da
diferença entre a solidão, do inglês loneliness, e a solitude. Como não
há consenso do significado dessas palavras, tentarei ser o mais claro possível.
Pode-se imaginar que são termos equivalentes, porém compartilham uma drástica
diferença. A solidão é uma espécie de isolamento emocional e representa uma
doença psíquica, que se não tratada pode se tornar cronica. Já a solitude é o
isolamento social que algumas pessoas têm necessidade, como um momento usado
para reflexão.
Como seres humanos são criaturas sociais por
natureza, o isolamento da sociedade afeta fortemente nossa saúde mental e
física. Alguns de nós apresentam predisposição a enfraquecer as conexões
sociais, preferindo atividades individuais ao invés de se envolver com os
outros.
Ler, escrever e refletir profundamente exigem
momentos de solitude, que nos estimulam a ser criativos. Eles nos renovam, para
que possamos enfrentar os desafios por vir e voltar a comandar nossa própria
vida. Também, temos outras perspectivas de análise para o que fizemos ou
faremos.
Praticar esse tipo de atividade num mundo
inter-conectado é coisa para poucos, motivo pelo qual o Prof. Diório, linguista
na UTFPR, nos propôs seu experimento “Sócio-interacionista”: teríamos que
permanecer 24 horas sem qualquer tipo de conversa virtual com nossos amigos.
Como não sou muito fã de redes sociais, completei com certa facilidade a
tarefa. Apesar de usar o Facebook para me atualizar, não fui prejudicado,
devido à experiência ter acontecido ainda na segunda semana de aulas.
O fato é que vários foram os momentos de solitude,
inclusive por ter sido numa tarde livre. Diversos foram os temas por mim
analisados, mesmo sendo quase inconscientemente. Pensei na aula de Filosofia
que tive pela manhã e em tudo o mais, que já nem lembro. Por ser uma
experiência subjetiva, haverão de concordar que cada um obteria um resultado
diferente. E foi isso que aconteceu. Alguns sucumbiram à vontade de mandar
mensagens e outros sequer conseguiram concentrar-se numa reflexão, talvez por
falta de vontade ou por terem achado desnecessário. Por minha vez, digo que é
preciso prestar muita atenção para não acabar ultrapassando o limiar entre a
solitude e a solidão, e ter a sensação negativa de isolamento.
Vinícius Henrique Sezanosky Pinto
Realizei a atividade proposta em sala de aula que
consistia em permanecer vinte e quatro horas sem acesso a meios de comunicação
interativos. Ao realizá-la, em nenhum momento acessei qualquer tipo de
informação interativa, tendo concluído a mesma sem muitos problemas. Esta
atividade me levou a concluir que, em nosso tempo e contexto social, a maior
parte da informação que acessamos está de certa forma vinculada a esse tipo de
meio de comunicação.
Geralmente, utilizo muito a internet para me manter
informado, tanto sobre noticias quanto sobre atrações ou eventos em geral que
possam me interessar. Gosto de me comunicar por mensagens ou por chat. estou
acostumado a utilizar mecanismos instantâneos de mensagem pela praticidade e
interatividade.Durante as horas da atividade, tive problemas em me comunicar
com meus amigos, de me informar a respeito de eventos e atividades que poderiam
ser do meu interesse e de acessar noticias. Estava planejando me encontrar com
alguns amigos em um evento durante a atividade e não pude nem me comunicar com
eles, nem acessar as informações sobre o evento. Esta dificuldade me gerou um
sentimento de certa incapacidade e isolamento.
O tempo que antes eu destinava para acessar essas
mídias, eu utilizei para adiantar alguns trabalhos e outras atividades. Apesar
de sentir falta do acesso rápido à comunicação e à informação, não me senti
muito reflexivo e não tive meu humor alterado. Já tenho o costume de dedicar um
tempo para atividades solitárias, um tempo “para mim”, mesmo que não com muita
freqüência. Costumo, às vezes, tirar um dia para ler um livro ou ficar algumas
horas apenas escutando música, sem me conectar à internet ou trocar mensagens.
Porém, só faço isso quando não tenho nenhum interesse, ou necessidade de me
conectar.
Particularmente falando, talvez pelo tempo
estipulado, a atividade não chegou a fazer eu me sentir completamente sozinho.
Creio que a solidão na qual me encontrei durante a atividade represente mais um
sentimento de isolamento do que algo emocional ou reflexivo. Porém, considero a
atividade válida para avaliarmos o quanto de nossas vidas está vinculado com
esses meios de comunicação. Acho que, quem não está acostumado com um tempo pra
si pode tirar um bom proveito dela.
RAPHAEL SOMENZARI
Redescobrindo
a Solidão Integradora, um Paradoxo Coerente
O fenômeno da comunicação e sua relação com o
comportamento da sociedade, uma das temáticas mais importantes da disciplina de
Língua Portuguesa, foi alvo de um experimento, do qual participei, realizado em
algumas turmas do Ensino Técnico da UTFPR sob orientação do Professor Diório. A
proposta consistia em avaliar até que ponto o tempo dedicado pelas pessoas a
uma “solidão positiva” não estaria sendo prejudicado pelo excesso de
interatividade por meios eletrônicos a que são submetidas diariamente.
Dessa forma, dividiu-se a experiência em 4 etapas
principais: uma breve exposição dos objetivos do experimento e levantamento de
hipóteses, a prática (24 horas sem comunicação virtual), o relato das vivências
da prática em forma de questionário e conversa informal em sala com base em
certa literatura sobre o tema e, por fim, a produção de relatos pessoais em
forma de texto pelos alunos e a organização dos dados levantados para
discussão.
Assim, o processo como um todo não se limitou às 24
horas de “martírio”, tempo considerado por boa parte dos alunos insuficiente
para a obtenção de resultados relevantes. Mais do que isso, presumo que foram
as 2 semanas “com a pulga (em algum nível) atrás da orelha” a principal causa
de maiores reflexões e até mesmo vivências sobre o tema.
Nesta altura, cabe comentar que minha vivência
pessoal da parte prática do experimento não revelou grandes surpresas, na
verdade só fui dormir meia hora mais cedo. Já tenho o hábito de reservar algum
tempo sozinho em meu dia quer para investigar minha própria subjetividade, quer
simplesmente para curtir a tranquilidade e a comodidade de não precisar
interagir com outrem (apesar das reclamações, desligo o celular mesmo). A isto
se somou o fato de que, por serem em dias de semana, as 24 horas “off” já
estavam quase que totalmente preenchidas por atividades durante as quais não me
utilizo de comunicação virtual.
Por fim, avalio como positiva a atividade, visto
que questões como o desinteresse da mídia e comércio pela solidão, a atual
dependência da interatividade e os aspectos importantes da solidão humana
desencadearam boas reflexões conjuntas. Paradoxalmente, talvez a solidão cumpra
inclusive um papel integrador nas relações humanas. Até porque, muitas vezes é
preciso que nos afastemos de algo ou de alguém para poder melhor enxerga-lo
melhor e reconhecer seu valor.
Daniel Havro da Silva
SOLIDÃO
POSITIVA
Em relação ao experimento socio-interacionista, que
consistiu em todos os alunos ficarem “24 horas off-line”, na tentativa de
“experimentar” a solidão positiva, ou melhor, ter um tempo para si mesmo,
considero-o positivo.
Na realidade, o dia estipulado foi em uma
quinta-feira, porém acabei fazendo a minha experiência no domingo, o que foi
até melhor, porque meus familiares tinham compromissos e fiquei sozinha em
casa, eu e a solidão! Fiquei escutando músicas pensando na vida, estudei um
pouco e tracei alguns objetivos para o próximo ano. Porém, em minha opinião,
achei que o tempo estipulado foi relativamente curto para sentir-me solitária.
Talvez se ele fosse maior, como comentado em sala, uma semana off-line,
conseguiríamos resultados mais significativos para este experimento.
No entanto, em outro momento da minha vida eu me
senti realmente solitária. Uma vez, eu a minha família viajamos para a casa da
minha avó, e naquele tempo ela ainda morava em um sítio, literalmente no meio
do mato. Passamos uma semana na casa dela. Como já mencionei, era no meio do
mato, ou seja, sem internet, sem celular, porque só ficava fora de área, se
você mandasse uma mensagem eu iria receber depois de uns três dias. Mas enfim,
chegava ao final da tarde e não tinha nada para fazer, eu sentia uma coisa
ruim, ficava angustiada porque não fazia absolutamente nada a não ser comer e
dormir. Senti muita, muita falta do facebook. Ainda bem que agora a minha avó mora
na cidade e não preciso mais sofrer deste mal.
Com isso, consegui perceber que quando estamos
sozinhos (na solidão) e pensando, estamos simultaneamente no dois-em-um do
diálogo sem som, você consigo mesmo, e para ser uma “solidão positiva” creio
que o indivíduo deve ter seu outro eu, ou seja, sua consciência moral, como um
amigo e não chegar ao ponto do diálogo contradizer-se, assim, pode-se ilustrar
nos dizeres de Hannah Arendt, “não importa em que séries o pensamento se
engaje; para o eu que nós todos somos, importa cuidar de não fazer nada que
torne impossível para os dois-em-um serem amigos e viverem em harmonia”, caso
contrário, se você não está em paz consigo mesmo, a solidão tornar-se negativa.
Enfim, mesmo não conseguindo resultados
significativos neste experimento, o avalio como positivo, pois pude o comparar
com outro que vivenciei e com os dizeres de Hannah Arendt, que nos mostra a
importância do pensamento para a vida moral de cada indivíduo, pois cabe a cada
um pensar e analisar, rever seus princípios, valores, credos, convenções com o
intuito de conhecer a verdade a partir de seus próprios pensamentos, assim
vê-se a necessidade de mudá-los ou não. E é com relação a tudo isso que avalio
a solidão positiva como algo de grande importância para a vida de cada um.
Katiane Dalla Vecchia
EXPERIMENTO
“SOLIDÃO POSITIVA”
Atualmente, no mundo agitado e corrido em que
vivemos, é comum faltar tempo para tudo, até mesmo para si próprio. As
consequências deste fato são enormes, afinal, nos tornamos escravos das
informações vinculadas pelos meios de comunicação, na medida em que não
dispomos do tempo necessário para digeri-las antes de assimila-las.
Pensar é um ato que por si só exige tempo e
ambiente propicio, o que hoje em dia esta cada vez mais difícil. Não há melhor
momento para pensar do que quando se está só, quando nos desligamos da agitação
do mundo para, simplesmente, pensar, pensar e pensar.
Porém, a sociedade e as organizações chegaram a tal
ponto de visualizar a solidão como algo negativo, sinônimo de retração, de
isolamento. O “normal” considerado pela sociedade é estar rodeado de pessoas
todos os dias, em meio à grande agitação, assim como afirma Tomei (2008) e
Fortunato (2008), citando Katz (1996):
[...] é preciso aprender a ser só e parte da convicção
de que nem sempre isolamento rima com sofrimento, ou seja, há uma solidão
positiva. O autor prega o direito de não se comunicar, de não externar
sentimentos e opiniões ou compartilhar momentos quando o mundo tagarela dos
meios de comunicação exige justamente o contrário.
Essa “Solidão Positiva” é algo de que precisamos
cada vez mais. Ter um momento para refletir e avaliar nossas ações diárias é
extremamente importante, pois nos traz a possibilidade de mudanças construtivas
sejam elas relacionadas à nossa personalidade e atitudes, ou à nossa capacidade
crítica perante tudo o que nos é apresentado pelas mídias de hoje. Afinal,
segundo Paz (1984), citado pelas autoras, “a solidão pode ser positiva na
medida em que somente na solidão é possível uma ruptura com um mundo caduco e a
criação de um outro novo. A solidão é a profundeza última da condição humana”.
O experimento realizado em sala objetivou fazer com
que boa parte dos alunos buscassem a experiência da chamada “Solidão
Positiva”. O tema surpreendeu muitos, mas levou-nos a parar e perceber o quanto
a sociedade e a tecnologia nos limitam em todos os momentos. Hoje em dia não
vivemos sem internet, computador ou celular. Estamos o tempo todo conectados
sem ao menos dar-nos conta; muitas vezes estamos ocupados demais para pensar e
refletir sem interferências.
A proposta do experimento foi privar-se de toda a
forma de comunicação virtual, via celular ou mensagens, durante 24 horas, com
exceção para casos particulares. Deste modo, esperava-se que, em algum momento
deste período, tivéssemos um momento a “sós consigo mesmos” onde pudéssemos
pensar um pouco mais a respeito de nossa vida e de nossas atitudes, buscando
soluções para os possíveis questionamentos encontrados.
Os resultados apresentados foram os mais diversos,
porém, a meu ver, satisfatórios. Muitos foram aqueles que, por algum motivo,
não conseguiram cumprir todas as 24 horas estipuladas e desistiram algum tempo
antes. Outros sentiram dificuldade, mas realizaram todo o experimento. Alguns,
ainda, não realizaram o experimento por motivos pessoais. Apesar disso,
todos os resultados foram válidos e demonstraram o quanto dependemos e somos
influenciados por estes meios nos dias atuais.
Ao discutirmos sobre os resultados obtidos, pudemos
perceber os vários pontos positivos do mesmo. Muitos perceberam que o ato de
reservar um tempo para si é algo muito valioso e, de certa forma, prazeroso. Já
outros reconheceram a grande importância que estes meios exercem em suas vidas
(marcar reuniões, receber um aviso de ultima hora, etc.). Com relação à minha
experiência, pude refletir sobre muitas coisas que passavam despercebidas no
meu dia a dia, pensei no que poderia fazer para ser mais pontual e ainda
aproveitei para programar minha semana.
O experimento, bem como o aprendizado repassado
através dele, foram muito válidos, pois permitiram-nos o contato com um
tema relativamente recente e que passava, por vezes, despercebido em nosso dia
a dia: a importância da Solidão Positiva. Agora, daqui pra frente, sabemos que
reservar um tempo para ficar só, para pensar e refletir, é algo não só
positivo, mas, sobretudo benéfico e transformador.
REFERÊNCIAS ADICIONAIS:
Vanessa Aline dos Santos
Acho sim que a minha geração é uma geração
conectada, e que isso aumenta cada dia mais. Os momentos de solidão são cada
vez mais raros, e os de reflexão também. Por isso penso que o experimento
proposto foi bastante positivo, nos possibilitando um tempo “livre”. Apenas
acho que o tempo foi pouco, apenas 24 horas, se fosse maior (uma semana talvez)
os resultados seriam ainda melhores.
Em um primeiro momento, achei que o experimento
seria muito difícil de se realizar. Mas com o passar das horas, parece-me que
foi ficando cada vez mais fácil. No começo, mantive meu celular no bolso, e a
todo o momento pegava-o com a intenção de mandar uma mensagem, depois lembrava
das horas que deveria passar sem a prática, e guardava-o novamente. Depois de
um tempo, passei a deixar o celular dentro da mochila, e não sentia mais esse
ímpeto de usá-lo. Ao final do experimento, me sentia um pouco ais livre, sem a
ansiedade que normalmente sinto com a espera das respostas das mensagens.
Ficar sem o celular foi mais difícil do que sem as
redes sociais. Mesmo ficando algumas horas por dia usando-as, é com o celular
que passo as 17 horas em que estou acordada, mandando mensagens e conversando
com os amigos o tempo todo. Ficar sem poder ler o que me contavam foi difícil,
principalmente quando usava o celular para ver as horas e lia “4 mensagens não
lidas”.
Pela minha rotina ser bastante cheia durante a
semana, acabei não tendo muitos momentos em que não tinha nada para fazer, mas
sem o celular passei algum tempo a mais refletindo, sem as interrupções
causadas pela vibração que anuncia a chegada das sms. Mas mesmo assim considero
que o experimento teve um resultado muito bom, acabei percebendo que consigo, e
com relativa facilidade, passar 24 horas sem celular e sem redes sociais. Que
não sou uma total alienada como diz o meu pai.
Helena Resende Ribas
JÁ É COMUM
Já parou pra pensar quantos dos seus amigos não tem
celular? Ou quantos não estão em nenhuma rede social? Ou ainda quantos não usam
a internet regularmente?
Pois é, a resposta pra essas perguntas
provavelmente será “nenhum” ou “pouquíssimos”, e isso se deve totalmente pelo o
avanço da tecnologia e a acessibilidade de tal. Hoje em dia todos os jovens tem
acesso a internet, e todos são “obrigados” a estar nas redes sociais
simplesmente pra não ficar “por fora” do que acontece. Mas não podemos culpar
ninguém por isso, pois já virou algo tão comum no nosso dia a dia, que não se é
visto como um vicio maligno, e querendo ou não a nossa vida “virtual” já está
totalmente interligada com o nossa vida “real”, por exemplo, os eventos do fim
de semana são todos planejados, marcados nas redes sociais; as fotos da noite
passada; até mesmo o parabéns e dito em tais redes;
Eu mesma, não participei do experimento proposto
pelo professor, porque no mesmo dia eu iria participar de um evento, onde todas
as informações estavam sendo ditas por facebook. Eu realmente gostaria de ter
participado, mas a comunicação acontece por esses meios e chegamos a um ponto
que é impossível ficar sem comunicação, já é comum, já é normal.
Temos cada vez menos tempo de viajar nos próprios
pensamentos, ou viajar para um outro mundo através de livros, conversamos cada
vez menos pessoalmente com as pessoas.
Pois é, as redes sociais tem muitos prós, nos
permite estar conectado com todo mundo ao mesmo tempo, mas nos impede de
ficarmos sozinhos com nós mesmos de vez em quando, isso é um contra, que vem
junto.
Kesller Cristina Silva de Almeida
Enlouquecer
Nossa geração nasceu escrava da tecnologia.
Acessamos a internet em qualquer lugar, mandamos mensagens a qualquer momento.
E se pararmos de fazer isto, simplesmente nos isolamos do mundo, e esquecemos
que também existe o corpo a corpo.
Não fiz a experiência porque não fui para a aula no
dia e também porque não me imagino 24 horas off-line, 24 horas sem contato com
o mundo.
Acho que eu enlouqueceria, sei que sou prisioneira
da tecnologia, passo o dia mandando mensagens e acessando o facebook.
Não me imagino “vivendo” em uma solidão positiva,
mesmo porque não acredito que a solidão possa se transformar em algo positivo.
As vezes gosto de parar para pensar na vida, ler um livro, organizar minhas coisas,
estar sempre rodeada de amigos. Mas parto do principio de que posso fazer isso
sem deixar de lado o bom e velho celular, fiel companheiro de todas as horas.
Fernanda da Costa Machado
Solidão
Positiva
Quando se pergunta a um jovem brasileiro o que ele
pensa sobre a solidão a resposta, quase sempre, é negativa. A geração X e Y têm
um medo e uma aversão à solidão muito grande. Eles estão o tempo todo
conectados de alguma forma com o mundo. E nunca passam mais de uma ou duas
horas interruptas sem se comunicar de alguma forma com alguém.
Um experimento ministrado pelo Professor Diório
numa turma do terceiro ano da UTFPR colocou essa teoria à prova. Ele propôs que
a turma inteira ficasse 24 horas sem uso de celular e internet. Ele acredita
que esses são os dois motivos que fazem os jovens nunca se sentirem sozinhos.
Depois das 24 horas, os alunos foram reunidos e
debateram sobre o assunto em sala de aula. A maioria dos alunos descobriu que
ficar sozinho pode ser além de bom, produtivo. Alguns disseram que aproveitaram
para arrumar o quarto, outros, simplesmente pensaram na vida em seu momento de
solidão.
Existem estudos que indicam o lado positivo da
solidão e esse experimento serviu para mostrar que realmente, em medidas
pequenas, a solidão pode fazer muito bem para as pessoas, e principalmente os
jovens.
Leonardo Winocur
SOLIDÃO
COMO FORMA DE REFLEXÃO
A solidão, em certos casos, deve ser incentivada e
ser vista como algo positivo e produtivo, assim como no contexto de Solidão
Positiva abordado em sala de aula. Atualmente, recebemos uma enorme carga de
informação a todo o momento, notícias de todo o mundo, opiniões de todos os
tipos, cultura, ou a falta da mesma, vinda de todos os lugares possíveis de se
imaginar. Essa sobrecarga tende a minimizar os efeitos da solidão, dos seus
pontos positivos e negativos. Porém, não significa que a geração atual seja
escrava da tecnologia e da mídia, da mesma forma que seria impossível afirmar
que gerações anteriores eram escravas de cartas e telefonemas. Pode-se afirmar que
existe uma dependência dos meios de comunicação e interação em massa, pois não
existe uma maneira mais eficiente, que nos permita entrar em contato
fisicamente sempre que precisamos nos comunicar com alguém, e se tal tecnologia
existisse os efeitos da solidão seriam eliminados completamente, pois
estaríamos sempre cercados de pessoas. Quanto ao experimento, eu participei e
tive relativo sucesso, não foi um sucesso completo, pois precisei responder
mensagens dos meus familiares, e em razão disso prolonguei o experimento para
pouco mais de 24h. Posso concluir com base nessa experiência que sou muito
apegado aos meios de comunicação existentes e senti falta das mensagens de
texto que facilitariam todas as situações. Porém, posso afirmar que não sou
necessariamente dependente desses meios de comunicação. Continuarei a
utilizá-los, pois são práticos e cômodos e não porquê não consigo deixar de
usá-los. Também manterei os meus momentos de reflexão e os momentos reais com
as pessoas que amo e que estão próximas a mim.
Leonidas Lopes Filho
A
necessidade de estar conectado
Hoje as pessoas criaram uma coisa que eu chamo de
necessidade de estar conectado, é algo como se fosse um vício, algo que consome
as pessoas, deixando-as ansiosas, impulsivas, nervosas, inquietas, é como se
fosse uma luta consigo mesmo, uma obrigação de olhar o facebook, de escrever
alguma coisa no twitter, de postar algo no tumblr.
Meu professor de Português me lançou um desafio,
passar 24 horas desconectado. Isso pode soar simples, “há, o que são 24 horas”
porém, se você estiver em um estágio de conectividade elevado, não será tão
simples assim. Como eu já tenho um hábito de passar algum tempo sozinho quando
vou acampar, não entrei nessa onda, porém vou lhes falar sobre minhas
experiências. Ao estar sozinho, numa floresta, em frente a uma fogueira, o
melhor que eu poderia fazer era pensar, pensar sobre o que? Sobre tudo, sobre
nada, sobre a vida, sobre mim, sobre os outros, sobre coisa, objetos, pensar
sobre pensamentos, teorias, enfim o pensamento é algo magnífico, pois para ele
não há barreiras, ele vai alem e alem, e o impressionante é que tudo isso num
piscar de olhos, ou simplesmente em uma noite.
As pessoas estão tão ligadas a tudo que esquecem de
uma coisa que nos da jus ao nome ser humano, que é o ato de pensar, mas não é
um pensar como “o que vou fazer hoje a noite” mas sim um pensar diferente, um
pensar reflexivo, um pensar sobre as coisas, e como estamos tão acostumados a
tecnologia, acabamos por não pensar e simplesmente perguntamos a ela.
Guilherme Augusto Silva Surek
Vícios e
Necessidades
Ao realizar o experimento de privação de mídias
sociais e tecnologias, tive a proposta de passar 24 horas totalmente afastado
do meu smartphone, comutador, email, SMS, etc. Por algumas horas pude perceber
o quão interessante é ter mais tempo livre. Senti que eu fiquei mais produtivo.
Durante as horas em que estava no meu estágio no Banco do Brasil, acabei as
funções que levaria um dia para executar em pouco mais de uma hora. É
importante saber se desligar do mundo virtual para realizar algumas funções no
mundo real. Apesar de já ter a consciência disso, achei o experimento muito
válido.
Acho que um dia todos nós deveríamos experimentar
períodos mais longos sem acesso a internet e às novas tecnologias. O
experimento despertou em mim esse desejo e num futuro próximo espero vir a
enfrentar essa situação. Terei mais tempo para ler, pensar, conversar com meus
amigos(pessoalmente), namorar...
Apesar da válida experiência, em um mundo cada vez
mais conectado, é muito difícil se desligar. Estar afastado da tecnologia
implica ser difícil de atingir, indisponibilidade. Dificulta contatos, sejam
eles de amigos, profissionais ou até mesmo familiares. A rede social mais
utilizada pelos brasileiros na atualidade, o Facebook, já passou a marca de 1,5
bilhão de usuários. Não participar de um meio onde tantas pessoas estão
inseridas dificulta muito a comunicação e resulta em pessoas ‘ilhadas’ da
sociedade. Totalmente isoladas.
Não consegui cumprir as 24 horas e apesar de me
interessar pela experiência do isolamento, fiquei muito feliz em viver em uma
época onde a comunicação é tão facilitada pela tecnologia. Talvez por ser muito
comunicativo e a todo momento estar vidrado no meu celular, lendo livros, sites
de notícias, redes sociais, etc. tenha sido muito mais desafiador para mim.
Confesso que não resisti e tive que responder um SMS. Sou viciado, sim. Mas
também uso da tecnologia para que com a quantidade de informação que adquiro,
não me torne fútil e superficial.
Luiz Gustavo Agostinho Franco Bueno
Em nossa rotina mal percebemos o quanto estamos a
todo instante ligados com a tecnologia, isso se tornou tão comum que não
notamos o quão depende estamos. Não temos um tempo apenas para nós mesmos. O
fato de não conseguirmos e nem tentarmos ficar sozinhos, talvez seja por medo
da solidão. Mas nunca paramos para pensar que talvez exista uma solidão
positiva, uma solidão na qual podemos tirar um tempo somente para nós mesmos,
seja para ler um bom livro, um tempo para pensarmos um pouco na vida, descansar
ou até mesmo ouvir uma música.
Quando o professor Diório propôs esse experimento
de “desligar-se” por 24 horas logo pensei em não realiza-lo, pois saberia que
não seria fácil. Analisei melhor e aceitei o desafio, confesso que não foi nada
fácil ficar 24 horas sem poder mandar mensagens para alguns amigos ou até mesmo
acessar o facebook para saber das novidades, pois são costumes que já fazem
parte da minha rotina. Por outro lado tive um momento só para mim, episódio que
não ocorria há um bom tempo. Esse experimento também me fez enxergar como é bom
podermos estar conectados aos nossos amigos mesmo eles não estando perto,
visto que a solidão só é positiva quando se é visitada uma vez ou outra,
mas não é uma boa ideia adota-la como morada.
Jayne Caroline Souza Skrepka
Solidão ou comunicação ?
Não é necessário que nos mostrem pesquisas e dados
estatísticos para termos noção do tempo que as pessoas passam conectadas à
internet, seja pelo computador, celular ou qualquer outro dos vários aparelhos
que possibilitam navegar. Além da utilização cada vez mais ativa dos meios de
comunicação em massa, como por exemplo as redes sociais.
É nossa realidade, mandar mensagens pelo celular
durante as aulas ou mesmo em uma reunião, conferir emails e estar antenado no
que acontece no Facebook, Twitter e afins. Estar constantemente conectado é a
lei não só da nova geração mas de todos que precisam se comunicar, profissional
ou pessoalmente.
Percebendo essa realidade, o professor Diório
chegou à conclusão de que os jovens de hoje, não sabem o que é solidão e ter um
tempo para refletir. Então ele propôs um experimento empírico: ficar
desconectado durante 24 horas, sem ao menos mandar SMS. Particularmente foi uma
tarefa muito difícil, tanto é que não durou nem duas horas para o primeiro SMS
ser enviado. Meu namorado está morando em Ouro Preto e na correria do dia a dia
às vezes não sobra tempo de conversar, o que resta é mandar mensagens. Não
consegui segurar e falhei com experimento.
Há estudos com embasamento científico que mostram
que a solidão é benéfica quando controlada. Que isso proporciona ao indivíduo
tempo para refletir sobre os mais diversos assuntos e obter crescimento. O
estudo nomeia o tema como Solidão Positiva e a referência no assunto é o autor
Chaim M. Katz.
Porém, obviamente essa solidão não é o objetivo da
indústria de consumo e da cultura de massa que lucram e são mantidas pela
comunicação integralizada em rede. A solidão é um obstáculo para existência das
empresas.
O experimento deixa de ser empírico pois há estudos
sobre isso. Concordo que é bom ter momentos de reflexão e se desconectar um
pouco da internet. Poder interagir com a família e amigos é muito importante. O
contato humano é indispensável ou mesmo um tempo para fazer o que gostamos.
Juliene Pereira
Vinte e quatro horas costumam passar mais rápido
quando se está conectado com o mundo através de diversas tecnologias. Percebi
isso quando fiz o experimento sugerido pelo professor, ficando das 18 horas de
quinta-feira até as 18 horas e sexta-feira sem entrar em internet e sem usar o
celular para mensagens de texto. Como já me era esperado, a abdicação de mandar
torpedos foi o que mais me “castigou”, a internet não foi problema, pois nunca
fui um daqueles que se conectam diariamente. Costumo passar praticamente o dia
inteiro conversando via SMS com mais de uma pessoa. Porém, minha expectativa
era de um sofrimento maior. Apenas duas ou três vezes me vi com uma necessidade
extrema de ler as mensagens recebidas. Nesses momentos lembrava de que avisara
as pessoas com quem costumo conversar que iria estar “desplugado” por essas
vinte e quatro horas, então não haveria problemas. Apesar de ter sido menos
doloroso do que era esperado, quando o tempo do experimento acabou me apressei
para responder as mensagens de texto.
A parte que fugiu mais do meu cotidiano foi quando
me deitei para dormir, costumo sempre usar o celular alguns minutos antes de
adormecer. Sem o aparelho, dei-me um tempo para pensar na vida, o que fazia
tempo que não fazia. Senti a diferença em ter esse “tempo pra mim”, embora ele
tenha durado muito pouco, até eu cair no sono.
Leonardo Franco Valente dos Santos
Desconectando
a mente
Vivemos no mundo da internet. Acordamos e entramos
no facebook para ver quantas notificações temos e vamos dormir mandando um “boa
noite” a alguém que apenas conhecemos no mundo virtual. A experiência de ficar
um dia sem contato virtual nenhum foi muito difícil porque temos acesso em
praticamente todos os lugares. A princípio eu achei algo bem negativo, mas após
algum tempo percebi que poderia utilizar o tempo em outras atividades que eu
gosto mas que não realizava há algum tempo. Não deixei de pensar no facebook
completamente e mesmo com vontade de acessar um pouquinho, resisti ao “vício”.
A experiência foi interessante e pude tirar um
tempo só e de reflexão, me focar em outras atividades e ficar um tempo a mais
com meus familiares. Faria novamente a experiência, mas não sempre, porque a
internet faz realmente parte da nossa vida.
Pâmela Kieuteka
Equilíbrio
Quando pequena, ainda não tinha muita noção do que
era estar “conectada”, apesar de chamarem a galera da minha idade de geração Y,
não nasci adaptada à tecnologia. Com esse “novo mundo” fui crescendo, me
adaptando; cada vez mais ouvia falar em pessoas viciadas na Internet, mas não
achava que isso poderia ser uma coisa grave, achava que as pessoas estavam
exagerando. Ganhei meu primeiro computador, e então, passei a entender o que os
outros diziam. Sim, acabei entrando nesse vicio. Achei na Internet meios muito
mais fáceis de me comunicar com os outros do que ter uma conversa cara a cara
(o que era uma dificuldade imensa a mim, na época, a timidez me consumia).
Mas ai, esse mundo novo me dominou, meu rendimento
escolar caiu, e minha mãe pirou. Fiquei sem computador, os livros passaram a
ser meu mundo. Terminado o bimestre, as notas voltaram ao normal, meu
computador voltou pra mim, mas percebi que tudo tem limite, e que não podia me
isolar do mundo físico. Assim aprendi o equilíbrio entre o mundo real e
virtual, e desde então não ligo de não estar “conectada” por algum tempo.
A experiência proposta - de ter que ficar 24 hrs
sem o meio virtual - , só me fez relembrar quando a minha história com a
Internet começou e me fez refletir que tudo tem sua dosagem certa para
funcionar com êxito.
Bruna Santos Colaço
Fugindo da
solidão
“Os jovens de hoje em dia não sabem o que é
solidão”, foi a conclusão que o Profº Diório teve ao realizar esse experimento,
e acredito que esse não é o primeiro momento que me deparo com esse
questionamento.
Hoje em dia, muitas pessoas sem encontram
dependentes de diversas coisas, de vícios que muitas vezes são imperceptíveis
para essas pessoas, por não chegar a afetar diretamente o organismo, como
drogas, cigarro, álcool, mas que servem como um ótimo instrumento para evitar
que esses indivíduos não se sintam solitários, e a redes sociais, as mensagens
via SMS se encaixam perfeitamente como um desses vícios.
Por natureza que o homem tende a viver em
comunidade, longe da solidão, pois isso o torna mais feliz, e estar só, para
pessoas que têm um psicológico mais fraco, os tornam muito suscetíveis a
tristeza, e isso por ter como consequentemente, doenças muito comuns na sociedade
de hoje, como depressão, síndrome do pânico, etc.
Houve uma período da minha vida que não podia me
ver longe das redes sociais, do MSN, de games online, onde sentia uma aflição
quando ficava privado, mesmo que por poucas horas, de entrar em contato com pessoas
através do mundo virtual, e isso perdurou até o momento que me vi dependente de
toda essa interatividade, que aquele mundo novo que me era apresentado,
tornou-se um vicio para mim. Porém, quando tive a oportunidade de me apegar a
uma religião, essas inúmeras coisas que eu era dependente, já não me eram mais
necessárias, pois aquele vazio que sentia dentro de mim, aquele medo me estar
solitário, hoje, encaro com muita tranquilidade, pois a paz interna que sinto
por crer em um Deus, já é muito maior.
Por isso realizar esse experimento, não foi nenhum
pouco difícil para mim, pois já fazia isso e ainda faço, para poder refletir
sobre mim, e poder discernir com maturidade as melhores escolhas que devo fazer
em minha vida, diferente de boa parte das pessoas que ainda se encontram
escravas de muitas coisas, que apenas não passam uma fuga da solidão.
Muryel Ovídio M. M. e Pereira
Solidão
Saciada de Forma Solitária
A questão é que seres humanos foram programados
para viver em comunidade, sempre que isso é contrariado, instintivamente
tendemos a procurar por companhia, seja virtual ou não.
Com o advento da internet, comunicação via celular,
providos pela alta tecnologia, possibilitou um preenchimento da solidão, com as
redes sociais e envio de mensagens, o que acabou por tornar as pessoas mais
individualizadas, pois ninguém marca um encontro para envio de sms ou patê –
babo online, essas práticas acontecem solitariamente. E essa solidão é
percebida quando paramos para analisar ou ficamos realmente sozinhos, pode ser
devido à falta de bateria do celular ou estar em uma área sem cobertura de
sinal onde você permanecerá um longo tempo, mero acaso, já que a atitude de
reflexão simplesmente por querer raramente acontece.
A experiência realizada de privação de interatividade
virtual proposta pelo professor Diório de português da UTFPR durante 24 horas,
possibilitou a percepção desta solidão, da qual nossa geração, Y, está
eminentemente escrava.
Tal experiência não foi de cunho difícil, o que
para outros foi justamente o contrario, essa facilidade foi devido ao processo
de que eu não sou “ligada” em tecnologia. Sem demagogia, mas eu realmente
conseguiria viver sem internet ou telefone celular, já que tive uma experiência
parecida, pois uma vez aprontei e fiquei dois meses “enclausurada”, detalhe era
nas férias, fiquei sem celular e internet e sem sair...
O que me incomodou um pouco foi a fato de NÃO poder
mandar uma mensagem ou utilizar a internet, uma situação imposta da qual estava
recordando-me a todo instante, não Flávia você não pode por 24 horas.
O fruto colhido foi à comprovação da minha opinião
em relação à interação virtual, em que pessoas estão buscando saciar sua
solidão de uma forma solitária, como desabafos em redes sociais sem ao menos
perceber o quão solitárias se encontram e como as pessoas não utilizam a
solidão de uma forma positiva, para reflexão.
O ponto é que a tecnologia possibilitou interação,
facilidade na comunicação, dispersão das informações a velocidade da luz, porém
ela trouxe também a solidão e a falta de solidão para reflexão.
Flávia Mariane Wrubel Marchiori
Quase que um dia normal
A maioria das pessoas hesita em ficar um dia sem
utilizar objetos eletrônicos em busca de um momento reflexão, porém realizar
esta experiência diferenciada não foi tão complicado como parecia. Entre os
motivos para esta maior facilidade pode-se citar : o fato de meu dia-a-dia não
ter mudado muito, pois foram dois dias corridos de aula e as distrações
além dos eletrônicos (livros, cartas de Magic, etc...).
De vez em quando eu já tinha tempo para esses
momentos de reflexão, porém devo admitir que durante o tempo no experimento eu
tive muito mais tempo para pensar na vida, no magic, na comida, no jogo novo do
professor Diório e até em comprar o seu livro! (só que não, se eu tivesse mais
dinheiro pelo menos). Não sei se foi inclusive por isso que aumentaram um pouco
das brigas com a minha mãe, pois ao invés de trabalhar tinha vontade de ficar o
dia inteiro deitado sem fazer nada. Apesar deste aspecto ruim, acredito que foi
uma experiência interessante e também acredito que isto não mudou muito a minha
vida, pois no dia seguinte voltei a ter um dia normal estressante.
Paulo Otavio Panichek Ribeiro
Tudo começou na aula de português, quando o
professor Diório sugeriu um experimento: 24 horas sem mandar mensagens e sem
entrar em redes sociais. Particularmente, não foi difícil durante o dia, pois
estudo o dia inteiro. Porém quando cheguei em casa, depois da aula, deu aquela
vontade de mexer no computador. Mas, decidi passar um tempo com a minha
família, ficamos na varanda conversando e foi muito legal. Assim percebi que
estava perdendo de passar um tempo de qualidade com a minha família para ficar
na internet. Depois de ficar junto com eles, separei uns minutos para pensar sobre
a minha vida.
Hoje nós estamos tão cheio de atividades, que não
temos tempo para pensar sobre a nossa vida. Seria bom se nós separássemos todos
os dias alguns minutos das nossas vinte e quatro horas para refletir, pensar
sobre algumas atitudes e sobre o futuro.
Concluí as vinte e quatro horas e foi muito
interessante fazer esse experimento, pois obtive lições importantes com ele!
Thais Caroline Graff