Experimento
Socio-interacionista
“24 horas off-line”
UTFPR – Dezembro
de 2012
Partindo de um questionamento e de uma inquietação
de base empírica do professor, de que as gerações atuais, graças às tecnologias
disponíveis e, principalmente, à enorme conectividade existente na sociedade de
consumo, não tem momentos de solidão, ou seja, não conseguem ficar, realmente,
sozinhos para pensar e refletir sobre si, o mundo, enfim, sobre tudo, surgiu a
ideia para este experimento socio-interacionista.
Os alunos foram convidados a passar um período de
24 horas sem utilizarem qualquer tipo de interação que não fosse física,
incluindo as redes sociais da internet, troca de mensagens (inclusive através
de celulares), jogos on-line e qualquer outro tipo de possibilidade de
interação virtual.
O objetivo era que, sem tais
"distrações", em algum momento destas 24 horas, o indivíduo
encontrar-se-ia (ê, mesóclise) sozinho e poderia exercer a "solidão
positiva", termo utilizado pelo psicanalista brasileiro Chaim Samuel Katz em seu livro "O coração distante: Ensaio sobre a solidão
positiva". Segundo o autor, estar sozinho pode ser uma experiência
positiva, prazerosa e trazer alívio emocional, desde que esteja sob controle do
indivíduo. Katz fala que é preciso aprender a ser só e parte da convicção de
que nem sempre isolamento rima com sofrimento, ou seja, há uma solidão
positiva.
Em seguida, os alunos trouxeram suas experiências
para serem discutidas em sala de aula e, por fim, produziram um texto, como um
relatório, sobre tal experimento.
Dos 275 alunos envolvidos no experimento, 83%
toparam realizá-lo, uma vez que era, completamente, um trabalho voluntário e
não obrigatório. Destes, 72% concluíram-no, isto é, conseguiram ficar as 24 horas
propostas, totalmente, desconectados e sem interações virtuais. Dentre os 28% que
não conseguiram concluir, há desde o mero esquecimento do compromisso até o “vício”
(palavra usada pelos próprios alunos) nas redes sociais e, principalmente SMS (torpedos)
via celular como causa da interrupção. Somente 31% disseram que o experimento, de
alguma forma, modificou sua visão de vida e/ou de mundo, em parte, porque acharam
o período de 24 horas insuficiente para tal. 78%, inclusive, relataram terem gostado
da ideia e que repetiriam o experimento por conta própria e com certa periodicidade.
Por fim, 86% avaliaram como uma experiência positiva.
A seguir, os textos originais produzidos pelos
alunos participantes do experimento (sem qualquer intervenção do professor).
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